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Segunda-Feira, 4 de Junho de 2012

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BICICLOWN: SE É DE DIA, ISTO É O ALASCA
Esta é a crónica de uma acidentada viagem rumo ao Alasca. Uma pequena história que começou em Hilo (Havai) às 5 da madrugada com os meus olhos a habituar-se ao sol. O meu amigo Bryan de couchsurfing e o seu filho Ashton de cinco anos ajudaram-me a levar a pesada caixa de cartão na qual a minha bicicleta Karma viajaria até ao Alasca. Como se fosse ET, com os seus enormes olhos azuis abertos à manhã, Ashton nem se mexia. O seu pai Bryan, com um equilíbrio digno de galardão no festival de circo de Montecarlo, segurava a caixa numa mão, enquanto conduzia a bicicleta com a outra. Durante uns quilómetros levei eu a caixa, e chegámos ao aeroporto. Despedi-me desta especial dupla que me ajudou enormemente durante as minhas sucessivas idas e vindas a Hilo. Ashton tinha os olhos húmidos ao ir-se.

Are you crying?", perguntou-lhe Bryan.

"No, but my eyes are sweating", (os meus olhos estão a transpirar), disse Ashton a girar a cabeça

Os simpáticos empregados hawaianos de Go Mokulele encarregaram-se da minha bicicleta e dos alforges que eu em apenas meia hora tinha conseguido fazer desaparecer entre caixas e cartões. A companhia aérea libertou-me de pagar o excesso de carga. Mahalo!

Ao chegar a Honolulu começaria a aventura. Um amigo da Alasca Airlines facilitou-me um bilhete de convidado. A um preço muito mais barato de que o habitual me permitia chegar até ao Alasca mas numa situação de lista de espera: só iria se tivesse lugar livre no avião.

"Quem vai querer ir ao Alasca desde Honolulu?", pensei.
O meu avião sairia às nove da noite e disporia de 12 largas horas para eu me reencontrar com o meu passado, disfrutar o presente ou adivinhar o futuro dos meus dias no Alasca. Os carritos no aeroporto de Honolulu custam 4 dólares, e necessitaria de dois para levar todos os meus volumes. A minha situação com todos os volumes à minha volta era difícil e era impossível mover-me.
Dirigi-me ao balcão da Alasca Airlines e a D. Sara informou-me de que já não havia lugares para mim no voo da noite.

"What options do I have?", perguntei.

Chamou a Brenda, a supervisora, que amavelmente me procurou lugar num voo da companhia que saíra de Honolulu com destino a...: Seattle.

"And in Seattle?", perguntei.

Em Seattle teria que procurar um voo para Anchorage (Alasca). Brenda deu-me a opção de que todo o meu equipamento e a bicicleta fossem enviados no voo da noite para Anchorage. Separar- me de Karma era doloroso mas ir de aeroporto em aeroporto (check in-check out) podia ser pior que um filme de cinema mudo sem legendas nem pianista.

O voo para Seattle durou duas bolachas, dois sumos e uma ida à casa de banho. O que quer dizer 5 horas. Tempo mais que suficiente para meditar e procurar na minha lista de contactos alguém que residisse em Seattle. E encontrei. Há já 7 anos que não via o Luiggi que acabava de deixar a sua querida Iruña para trabalhar na cidade norte-americana. Encontrámo-nos no enorme aeroporto e decidimos passar as poucas horas juntos atualizando a nossa base de dados de memórias.

Quanto mais rápido entrasse no avião para Anchorage mais opções teria de um lugar livre. Os controlos de segurança neste país lembram as salas de striptease de um clube. Todo o pessoal a tirar sapatos, cintos...; e gordos e sorridentes polícias a tocar-te em todo o lado sem que ninguém tenha que pagar por isso. Às cinco da madrugada (24h depois de sair de Hilo) estava de novo a sentir a mão do polícia a percorrer a minha cintura como se de um tango se tratasse.

A bonita hospedeira da Alasca Airlines, Anna, deu-me um par de bolachas caseiras e perguntou-me:

"Will you get married one day?" (vais-te casar um dia?)

Não estava a seduzir-me, só queria saber se o seu namorado que anda a percorrer a América do Sul de moto há já alguns anos, algum dia desceria da sua moto para casar com ela.

"It will be hard" (será difícil) respondi-lhe.

O seu meio sorriso parecia adivinhar a minha resposta. Mas também me disse que preferia que ele continuasse a perseguir o seu sonho pois é o que o torna livre e bonito.

As montanhas nevadas perto do aeroporto de Anchorage tinham escondido todas as imagens de palmeiras, surfistas, ukeleles e camisas havaianas da minha mente. A minha pele reclamava mais roupa mas toda a que tinha estava nos alforjes. Dirigi-me ao local de levantamento das malas e Allison levou-me ao armazém.

Com jet lag e algumas feridas na caixa, Karma dormia numa esquina. Recolhi todo o material e a bela Allison conseguiu um carrito (sem pagar 4 dólares) e até chamou o meu contacto em Anchorage. Que gente tão amável a da Alasca Airlines que nem me cobraram o excesso de equipamento.

Lewis era há já alguns anos um couchsurfer. Um escalador com o olhar posto na rocha mais alta. E Linda, uma mulher lutadora, trabalhadora e amante das bicicletas e das corridas que lhe deu lugar para dormir uma noite ou duas..; e há já um ano que Lewis vive na sua casa.

Lewis apareceu com a sua funcional carrinha vermelha no aeroporto em dez minutos. Os assentos fizeram uma vénia à caixa de Karma e rumámos à casa de Linda.

Chovia, o céu estava cinzento e o meu coração sorria até mais não poder. Estava no Alasca depois de mais de 27 horas, com Karma às costas e a ilusão de quem apesar de mais de 7 anos de viagem, quer continuar conquistando cada montanha, banhar-se em cada rio e esperar na ponta dos pés por um novo dia.

Desde Anchorage, Paz e Bem, o biciclown.


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