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Terça-Feira, 27 de Março de 2012

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BICICLOWN: SURF NA SH 2
Dizem que o homem do tempo na Nova Zelândia não se costuma enganar no seu prognóstico. Quando diz que quinta-feira haverá sol, quer dizer que haverá sol, mas talvez não seja esta quinta-feira mas antes segunda-feira seguinte. Todos os kiwis com que falei concordam em dizer que este ano não houve Verão na Nova Zelândia. Apesar de a água não ter repassado os meus alforges, começa a criar goteiras na minha paciência. Durante dois dias inteiros (mais de 11 horas) pedalei com chuva constante e ventos terríveis. Foi no meu caminho para Gisborne, uma cidade famosa por ser um bom lugar para fazer surf. Mas o verdadeiro surf pratiquei-o na estrada que me trouxe até aqui. Quando cai água do céu, pedalas sobre uma piscina, e um camião que vai à tua frente a menos de meio metro de distância enche-te com a água que sai dos pneus, manter-se de pé nestas condições só é possível a quem seja bom surfista.
Os últimos dias de sol de que me lembro na ilha Norte da Nova Zelândia levaram-me ao lago Waikaremoana. Situado a mais de 600 metros, no Inverno tem neve e, quando as autocaravanas não ocupam a estrada, até há tranquilidade. A tribo maorí que habita neste lago é uma das poucas que não assinou o Tratado de Waitangi, no qual os britânicos e maorís punham fim a muitos anos de guerrilhas. Os britânicos não eram capazes de dobrar os maorís e tiveram que assinar um documento que não deixou nenhuma das partes envolvidas satisfeita, e que continua a trazer controvérsias a cada aniversário do Tratado. No último, um grupo de maorís encabeçado pelo famoso Tame Iti foi acusado de tentativa de sabotagem e de tentar criar um grupo armado. Soube tudo isto porque fiquei hospedado em Napier em casa da secretária do advogado encarregue da defesa de tal Tame Iti.


O Departamento de Conservação (Doc) da Nova Zelândia (encarregue da conservação dos parques naturais) ainda não considerou importante cobrar portagem aos grandes veículos por transitarem nestas estradas. Uma caravana a puxar um barco é muito peso para estas pistas de terra e acabam por as destruir. Não tem nada a ver com a leveza de uma bicicleta. É irracional cobrar no campismo de Doc o mesmo ao ciclista que subiu até ao lago a golpe de pernas, que ao tipo que subiu à força de motor. Se nos países não se estabelece uma política de discriminação positiva às pessoas (ciclistas ou caminhantes) que acedem aos Parques Naturais, estaremos favorecendo a sua autodestruição. Todavia não foram ainda descobertos efeitos negativos do uso da bicicleta em Parques Naturais. Mas também ainda não foram descobertos efeitos positivos de conduzir um carro por um Parque Natural.

No lago tive a oportunidade de voltar a encontrar Joana e Nuno, os ciclistas portugueses que conheci em Murchinson semanas atrás. Eles também aproveitaram os dias de descanso para secar o material. Eu, para além disso tentava pescar, mas sem êxito. Desde que o meu amigo Murat me ofereceu uma cana em Timaru, tento usá-la quando posso. Brian em Napier, o marido da secretária, deu-me alguns conselhos e algum material; mas nem assim. Continuo a perder anzóis sempre que lanço a cana. Não me resta outra opção senão continuar a abrir latas de atum para o jantar!


Deixei a alegre companhia dos portugueses para aventurar-me até Morere, famoso pelas suas águas quentes. As águas quentes de Morere foram a melhor recompensa que pude ter após um dia à chuva. Em Morere não há muita vida uma vez que os banhos fecham às seis e não tinha ainda sítio para ficar. O kiwi que tratou de encerrar os banhos disse logo que ali não podia ficar, mas depois de pensar um pouco, ofereceu-me um teto. Não na sua casa; mas um teto. O barracão de três paredes em que guardava o seu velho carro. Quase só cabia o carro, mas ali dormiria. Na parte de trás. Coloquei um plástico, com uma esteira por cima (que luxo esses 3,8cm de la Prolite plus). A chuva não parou de golpear o telhado provocando um ruído que não ajudava a conciliar o sono. No dia seguinte passei por alguns pequenos portos, fiz mais um pouco de surf na SH2 e cheguei a Gisborne. Aí tive a oportunidade de conhecer uma mulher maorí, Edda, que tinha raízes espanholas.

O seu tetravô saiu de Valverde del Majano (Segóvia) para trabalhar em barcos baleeiros até que decidiu assentar na costa Este da ilha Norte da Nova Zelândia. Ali chegou a ter cinco mulheres. Seguindo a sua árvore genealógica, Edda leva-me até Manuel Jose de Frutos. Segundo ela mais de 16.000 pessoas descendem da semente daquele segoviano de carácter indomável. Segundo Edda os seus primos, os "joses" como ela os trata, partiram este Agosto para Segóvia para participar nas "fiestas del Pueblo". Se alguém passar por Valverde del Majano no Verão, não se assuste se vir uns tipos a fazer o haka. Não são a equipa de rugby da Nova Zelândia, os All Blacks, mas antes Edda e os primos a prestar honras ao alcaide e vizinhos do povo do seu tetravô

Desde Gisborne cujas estradas secam ao sol, Paz e Bem o biciclown


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