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Sexta-Feira, 9 de Março de 2012

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BICICLOWN: A PRIMEIRA VEZ OCORREU EM NÍGER
A chuva não parou nem um só minuto em toda a tarde e o vento tentou levar a tenda. O Noé teria estado bem na sua arca nesse dia no Parque Nacional Abel Tasman. Mas no dia seguinte o sol que aparece nos postais turísticos que fazem com que o Abel Tasman tenha 150.000 visitantes por ano apareceu. Durante três dias caminhei pelo bonito Parque que serpenteia pela costa do Norte na ilha do Sul de Nova Zelândia. Os leões-marinhos escondem-se quando os barcos-taxis levam os turistas às partes mais remotas do parque. O óleo que levantam também incomoda os kayakistas, como Nuno e Joanna. Conheci este casal de ciclistas portugueses em Westport, um sábado de mercado em que fui trabalhar.

Não vendi mais que 5 dvds do "Sorriso do Nómada", mas conheci uma mulher que me deu uma prenda fantástica. Algo muito especial que procurava há muito tempo e que ela, Kate, interpretou com grande delicadeza. A história começou num lugar de África, em 2005, em Níger. Uma tarde vi um homem que fazia colares e pendentes e perguntei-lhe se podia construir-me um com o logo do biciclown. No dia seguinte já o tinha feito. Essa é a rapidez africana. Lamentavelmente perdi-o no caminho alguns meses mais tarde. Kate fabrica colares, pulseiras e pendentes e os seus desenhos são únicos.

Kate tinha a sua banca ao lado da minha bicicleta e como a venda não era famosa pusemo-nos a conversar. Ofereceu-se para me fazer um pendente com o logo do biciclown. Iria levar-mo pessoalmente de carro a Murchison no dia seguinte. Uma hora de carro por uma estrada cheia de curvas. Enquanto pedalava por essa estrada que se retorcia, para não perder de vista o rio, pensava em Kate Nessa altura estaria ela a contar ao seu noivo que iria fazer um pendente a um palhaço que tinha conhecido essa manhã... , e de repente um carro ultrapassou-me e parou um pouco mais à frente. Era Kate. Não tinham passado nem duas horas desde que nos tínhamos despedido. Na sua mão segurava um pendente que era a réplica perfeita do logotipo do biciclown, que o meu amigo Viti criou há muitos anos, uma tarde em Madrid. Até tinha o nariz vermelho saliente. Trabalho impressionante.
Feliz por essas prendas que o caminho me foi dando todos estes anos, cheguei a Murchison no dia seguinte. E fi-lo com Nuno e Joanna. Nessa tarde juntar-se-ia a nós outro ciclista mais, Pablo. O argentino cujo encontro e cuja história encerra as páginas de "Onde termina o asfalto". A distribuidora nacional Mapiberia informou-me que o livro esgota assim que chega às estantes das livrarias. Fico muito feliz pelos leitores.

Refugiámo-nos os quatro no alpendre de uma casa velha em Murchinson cuja dona nos permitiu que acampássemos no seu jardim. Não é possível resumir aqui a quantidades de risos que quatro ciclistas podem produzir quando se juntam à volta de uma fogueira. Somos como crianças a brincar na areia: aprendizes de tudo e exímios em cometer erros. Não há música mais bonita que o coro de risos que esses quatro vagabundos tiveram, nem conversas mais filosóficas. Aristóteles teria ficado boquiaberto ao ouvir as nossas reflexões.

Sem tempo quase para fechar o abraço, temos de abri-lo de novo para deixar partir os nossos amigos. Mas o caminho, essa roleta russa no casino do mundo, nos juntará de novo. Com Pablo espero que seja no Havai e com Nuno e Joanna... Quem sabe. Também não pensava voltar a encontrar Terry, mas aconteceu. Foi em Nelson onde cheguei após os três dias da caminhada pelo Abel Tasman mais doces que tive na Nova Zelândia. No mercado de Nelson, Terry, o velho ciclista de 65 anos com que me encontrei semanas atrás na estrada, voltou a aparecer. É a época das maçãs e há já 15 anos Terry é um dos fiéis peões que apanha maçãs, vermelhas e rechonchudas das árvores. Terry levou-me a casa de uns amigos para que passasse a noite. Uma vez mais a máxima de que para alojar alguém basta ter sítio no coração e não na sala surtiu efeito.

Agora vou rumo a Wellington onde espero repor algumas partes do equipamento desgastado, como o passaporte: estúpido cartão em que acumulo selos que dizem que visitei tal ou tal país e que serve basicamente para impedir viajar quem ostenta um que tenha: Níger, Sudão, Cuba..., e que permite viajar o afortunado que tenha dinheiro para pagar e que venha de um dos países que acreditam que controlam o mundo mas que, na realidade, só o estão destruindo pouco a pouco.

Desde Picton paz e bem, o biciclown.


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