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Sexta-Feira, 11 de Fevereiro de 2011

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BICICLOWN: HÁ PEREGRINOS E PEREGRINOS. E HOSPITALIDADE E HOSPITALIDADE
A ilha de Shikoku é uma espécie de Caminho de Santiago no Japão. Convivem no caminho dos 88 templos shintoistas (mais de 1.000 kilómetros) todo tipo de peregrinos. Desde aqueles que vão em grupo e numa rigorosa fila, até os que o fazem de carro ou de bicicleta. Mas, quase todos trazem o uniforme oficial. Uma camisa e calças brancas, um chapéu cónico de pala, útil para o verão e igualmente prático nos dias ventosos e frios, e um pau de bambu. O bambu é muito comum por todo o Japão, sobretudo no sul, mas os peregrinos não entram no bosque para buscar um pedaço que lhes sirva de apoio. Não. Compram-no polido e envernizado numa loja por 50 euros. Nos templos, muitos dos quais cobram entrada, há todo o tipo de produtos para saciar a fome e a sede dos peregrinos. A religião não é alheia às leis do mercado.

Os que percorrem a ilha de bicicleta e com pouco dinheiro não são autorizados a dormir nos templos e sim nos hotéis que abundam em seu redor. Os templos são limpos, pequenos na maioria dos casos, situados em algum promontório que te faz " deitar os bofes pela boca " a subir e mesmo sem saber que não podes lá montar a tua tenda ao abrigo das divindades.
Encontrei um peregrino que já deu três voltas à ilha de Shikoku. Já percorre o Japão há mais de quatro anos. Sem outro rumo que seja o sol que mais aquece A sua companhia no barco que parte de Shikoku para Kyushu serve-me perfeitamente para escutar o seu próprio testemunho do que considera seja a hospitalidade japonesa.

"São reservados e respeitadores, e generosos mas distantes"

Mais ou menos o que venho observando desde que entrei no país. Essa combinação: generoso e distante é algo assim como chocolate com ketchup. Ninguém distante vai ser muito generoso contigo, pois para exercer a generosidade há que aproximar-se uns metros e, para os japoneses, o último metro não é exequível. O meu amigo, o peregrino confirma isso, no entanto, para ele, que conhece outros países, não é assim tão mau. E não é.
Não passa um dia, sem que alguém me dê ânimo e me sorria. Nas estradas deixam-me passar sem uma buzinadela, e nas lojas de 24h nunca me negam o uso da casa de banho, nem um pouco de água quente para fazer um chá. Outro dia, até me deixaram tomar banho na gasolineira. A casa de banho era mais limpa que 95% dos hotéis em que dormi na China: água quente, espelho. Até se podia beber a água da cisterna.

Neste país é proibido o jogo, menos nos cyber cafés. Mas desde que aqui cheguei ainda não vi nenhum cyber café.

A internet imagino que seja porque quase todos a têm no seu telefone e não seria rentável, salvo em Tokyo ou Osaka, um cyber café. Mas as redes que encontro têm quase todas a chaves bloqueadas. O que me dificulta a tarefa de ver o meu correio electrónico todos os dias.
O jogo é porque quando ganhas um prémio nas máquinas não é dinheiro, que está proibido, mas tabaco, caramelos, que te trocam por dinheiro na loja ao lado (às vezes dentro do próprio casino). Façam as suas apostas

Os dias são muito frios, com muito vento. Tento chegar o quanto antes a Fukuoka, onde uma japonesa que viveu 10 anos nos EUA e UK me convidou para ficar em casa dos seus pais um mês. Algo que me custa a crer. Ela vai começar dentro de uns meses um tour de bicicleta pelo Japão, para dar a conhecer as diferentes cozinhas do país.

Os últimos dias passei-os entre a minha tenda colocada em casas abandonadas ou áreas de serviço e entre algumas camas com que me brindam os salesianos que há pela zona. Em duas ocasiões dois polacos. O da Paróquia de Maria Auxiliadora de Beppu foi especialmente atento e generoso comigo. Atento a tudo e sobretudo ao seu companheiro polaco de 92 anos já, que chegou ao Japão em 37 (antes da II Guerra Mundial) e que levou 25 anos a regressar pela primeira vez à Polónia. Um homem que lê durante o almoço um diário em inglês e outro em japonês. Do início ao fim. Admirável.

Quando me aproximo de Fukuoka dou-me conta que a morada da família é Fukuoka Prefectura, e não cidade. Andei quase 100 kilómetros até chegar por fim a sua casa. Sachi, a japonesa,recordou-me o que é a HOSPITALIDADE com letras de ouro. Cedeu-me o seu próprio quarto indo dormir com a mãe. O que me faz recordar com um sorriso, algumas pessoas que ao longo dos quase 8 anos que levo vivendo na bicicleta me diziam que me convidavam para sua casa, mas que não tinham espaço. Já o disse e repito, para convidar alguém para sua casa só é necessário ter espaço num sítio: no coração.

E do coração quero agradecer a todos os que compraram os packs e com eles ajudaram a produzir O Sorriso do Nómada. Não foi fácil. Falta ainda muito para poder cobrir os custos mínimos de produção, mas a ilusão mantém-se.

De perto de Fukuoka, Paz e bem, o biciclown



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