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Terça-Feira, 13 de Julho de 2010

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BICICLOWN: FOME, VONTADE DE COMER
SPIUK APOIA ESTE AUTÊNTICO ESPÍRITO NOMAD SERIES
Necessitava chegar a Megen. E descansar. A dieta do Tibete está a deixar-me esgotado. Não é tanto um cansaço físico de subir montes, descer vales e ser perseguido por cães. É mais um cansaço psicológico. Mais de três semanas a pedalar com a bicicleta carregada. A mais de 4000 metros devem justificar o meu esgotamento. Mas cheguei a Megen. O último porto sem alcatrão, fez-me meter a primeira e levar a bicicleta à mão. Com tantos buracos na estrada, a velocidade dos carros era igual à minha. A tormenta vinha a seguir. Desenhada a negro no horizonte. E descarregou antes de eu chegar a Megen. Ensopado, procurei primeiro um lugar para comer e só depois um hotel. Tem a sua lógica. Procurar um hotel leva HORAS. E há que ter as pilhas bem carregadas para subir e descer escadas, entrar em casas asquerosas (não me estou a passar, é assim mesmo), e discutir preços. Além disso, os restaurantes parecem estufas e, enquanto como, seco a roupa e a pele.
Entrei naquele restaurante porque havia mais gente a comer. Assim podia escolher a minha comida (pelo que estavam os outros a comer), sem ter que fazer mímica. Como todos comiam o mesmo, foi o que também escolhi. A empregada (pensava eu, mas afinal era a dona) serviu-me água quente com um sorriso. Vestia umas calças de vaqueiro que levavam a pensar em alguém mais jovem, mas afinal rondava os 30 anos. Trouxe-me comida (com um sorriso ainda mais brilhante), e assim ficou a coisa. Fui procurar hotel. Quase à saída do povoado encontrei um que não estava mal. Custava 7 euros. Mas não tinha que partilhar o quarto com ninguém, salvo com a minha Karma. Mas não tinha duche nem no quarto nem no hotel. Não havia duches. Normalmente dão-te um termo com água quente para que bebas. Enchi a minha bolsa de 4 litros com parte dessa água e o resto com água fria e dirigi-me às latrinas. Como era um hotel um pouco mais caro, as casas de banho tinham portas. Aproveitei o resto da água para me lavar.

No dia seguinte voltei ao mesmo restaurante. Confesso que não fui só pela comida. Ao ver-me entrar a rapariga não pode ocultar o seu charmoso sorriso. Quando quis pagar, não me deixou. Nem ela falava inglês nem eu chino, perguntou-me como me chamava e convidou-me para jantar nessa noite. Saí do restaurante pensando que Karma teria que dormir essa noite na recepção

Regressei à noite e a rapariga foi atender o telefone. Disse que era um amigo. Começávamos mal. Não gosto de trios salvo no jazz. O amigo era um militar que entrou a sorrir e que se dirigiu à minha mesa. Agarrou no computador e, utilizando o tradutor do Google, começou a conversar comigo. Para saber que terreno pisava, perguntei no Google se a rapariga era sua noiva. Disse-me que não. Bem, pensei. Irmã? Também não. Finalmente encontrou no google a palavra que procurava. Era sua mulher. Puffff!!
Estavam muito contentes por eu ter aceite o seu convite para jantar. Mas não iríamos jantar ali. Fomos a outro restaurante, OS CINCO. Também convidaram o cozinheiro e a empregada de mesa. Que eram um casal. Assim que, com Karma na recepção, o único sem par era eu. Jantámos como ainda não tinha jantado na China. Pratos e pratos de comida. E todos deliciosos. Não me deixaram pagar. A conta era bem alta. Ao partir, Já noite, não permitiram que voltasse a pé e meteram-me num táxi (que pagaram).
Quando cheguei ao hotel saudei Karma (a minha bici).
De Xining, paz e bem, o Biciclown


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