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Terça-Feira, 15 de Junho de 2010

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BICICLOWN: ENTERROS NO CÉU
SPIUK APOIA ESTE AUTÊNTICO ESPÍRITO NOMAD SERIES
Esta história não é fácil de escrever nem de ler. Mas não a contar suporia esconder uma parte importante da cultura tibetana.

A 4 000 metros de altura, quando em Junho pode nevar, a terra é tão dura que não permite que uma enxada abra um rasgo de metro e meio. Não é, pois, possível enterrar os mortos. Devido à altitude, as árvores escasseiam. Não há lenha suficiente para os incinerar. Que fazer com eles?
A resposta tibetana é tão lógica como difícil de digerir para a nossa cultura. Que sejam os abutres e corvos a fazer o seu número de magia. Há que pensar três vezes antes de subir à montanha para presenciar a cerimónia.

O carro derrapa pela ladeira e para a meio. Todas as portas se abrem com excepção da do co-piloto. Dela, segundos mais tarde, sai um lama. Sentam-se sobre vários alforges que são rapidamente colocados a seus pés e, um pouco depois, volta-se a subir para o carro que inicia a sua descida e abandona o lugar. O lama assinalou o local onde deverão deixar o cadáver. Mais abaixo colocam outro. É de um jovem que está nu e enrolado num plástico transparente. Está frio. Mais abaixo vê-se a cidade de Litang que parece alheia a este ritual diário. Hoje são dois cadáveres, ontem foram cinco. Demasiada comida para os abutres, que demoram mais do que o previsto para terminar o quinto. Estavam tão cheios que não conseguiam voar, avançando aos saltos.

O som de uma faca sendo esfregada contra outra corta o ar gélido da manhã. Um homem de rosto azulado pelo sol e envolto também num plástico aproxima-se do cadáver. Vai fazer o seu trabalho. Fazer uns cortes no corpo para facilitar o trabalho dos abutres. Estes são feitos de um modo simétrico e não sangram.

Os exemplares maiores parecem recriminar o homem pela lentidão com que executa o seu trabalho. Mas este não parece incomodado pela presença das aves. Cada um sabe o seu tempo de actuação. Quando o homem se retira todos os abutres cobrem o cadáver. Dez minutos mais tarde não sobra nada. Uns ossos onde antes estava um corpo de um adulto. O homem volta a aproximar-se para preparar os restos para os corvos.

Os familiares mais directos não podem presenciar esta cerimónia. Não o suportariam. Alguém leva uma lápide para o lugar onde os abutres tiveram o seu festim.

Os tibetanos não comem nenhuma ave que voe, mas também não comem peixe. Já que os corpos das crianças são atirados em pedaços ao rio.

Podem pensar que este sistema é selvagem e primitivo. Mas se superarem os vossos iniciais e lógicos receios, é um sistema natural, ecológico e justo. O homem veio da terra, comeu centenas de animais e, no fim, os animais comem-no a ele. Não ficam qualquer rasto físico da sua passagem. Só irão recordar as suas obras, boas ou más.

Apesar de dura achei que esta história deveria ser conhecida já que, muitas vezes, achamos que só há uma maneira de fazer as coisas e que essa é a correcta.


Paz e Bem, Álvaro el biciclown



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